Deus, o divórcio e a restauração do casamento

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O verdadeiro amor nasce, ou deveria nascer, no casamento.

 

É onde as diferenças são expostas os comportamentos ímpares entre homens e mulheres tornam-se evidentes. Nascem as perguntas: Por que me casei? Como não percebi que éramos tão diferentes? Como pude confiar em alguém assim? Quem é a pessoa com quem me casei?

 

As pesquisas divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) revelam uma mostra preocupante: O número de divórcios no Brasil chegou a 351.153 em 2011, um crescimento de 45,6% em relação a 2010 (241.122). Isso fez com que a taxa de divórcios atingisse o maior valor desde 1984.

 

Por que um casal se separa? Os motivos campeões são: traição, ciúme, dinheiro e até a “incompatibilidade de gênios”. Mas principalmente, um casal se separa, porque pode. Antes da lei do divórcio, que completa 35 anos, era mais difícil. Os motivos hoje são os mais banais, até porque, desde 2002, os processos de divórcio deixaram de conter o motivo do rompimento, o que é uma lástima, já que a melhor maneira de solucionar um problema é conhecendo a sua raiz.

 

Antes da lei do divórcio, de 1977, o caminho para quem estava insatisfeito era o desquite, que envolvia constrangimento social e impedia a formalização de outra união. A situação atual permite oficializar divórcios consensuais no mesmo dia.

 

Li recentemente uma matéria sobre estatísticas de divórcios do Reino Unido que apontavam, com base em 5.000 petições de divórcios, que a palavra “Facebook” aparecia em 33% dos processos. A motivação: “Conduta inapropriada”.

Eduardo Borges, um infeliz, que representa no Brasil a rede social canadense “Ashley Mdison”, criada para quem sonha com uma aventura extraconjugal, disse em entrevista a revista Veja de 28 de novembro que “a traição salva o casamento”. A rede é frequentada principalmente por homens casados. Mas entre os 20 e os 30 anos, a proporção entre homens e mulheres é a mesma.

 

Quando questionado se ele mesmo já havia usado os serviços do site, Eduar disse não precisar, pois sua namorada não lhe dá motivos — como se houvesse motivos que justifique o adultério.

 

Essas declarações — recorrentes em muitos casamentos — revelam o preocupante nos índices apresentados pelo IBGE. O motivo do divórcio é a convivência. O despreparo entre os cônjuges para assumirem responsabilidades, para encararem as diferenças como prova do sentimento, para serem tolerantes e assim procurarem melhorar a convivência.

 

A comunicação é a equação que pode salvar um casamento, compreender as diferenças é parte da solução. Buscar um conselheiro, alguém que não coloque humor em suas respostas, nem termos de psicologia incompreensíveis, seria a melhor estratégia para restaurar o romantismo em um casamento que está prestes a se tornar um divórcio.

 

Se os levantamentos mostram que o número de divórcios no Brasil cresce a cada ano, ainda mais depois que mudanças na legislação facilitaram bastante a dissolução de um casamento, nas igrejas evangélicas o número também cresceu. E os motivos não são tão diferentes dos seculares.

 

A maioria dos casais evangélicos se divorcia por “falta de amor e respeito dentro de casa”. Manter o amor vivo no casamento é um assunto muito sério e o desejo de ter um amor romântico faz parte de nossa formação psicológica.

 

Ao longo dos anos pastoreando e aconselhando casais frustrados que me procuraram em meu escritório pude observar que a grande maioria não está ali para falar de seu comportamento, mas sempre reclamar do comportamento do cônjuge. Considero este o primeiro erro nos relacionamentos, quando não reconhecemos nossas próprias falhas e tentamos apontar o “cisco” no olho do cônjuge.

 

Antes de tudo preciso destacar, principalmente para os cristãos, que o casamento é uma instituição divina insolúvel, ou seja, separar-se deve ser a última opção, quando não há mais solução. Claro que ai entra outras questões, como a fé e a onipotência de Deus, capaz de fazer tudo. Mas em um aspecto teológico o divórcio é permitido, à luz da Palavra de Deus, em duas situações: A infidelidade conjugal e, neste caso somente a parte traída poderia casar-se novamente e a segunda situação é o abandono irremediável e irreversível.

 

Na época anterior às Leis mosaicas era permitido que um homem abandonasse sua mulher por qualquer motivo. Moisés então permitiu dar carta de repúdio às mulheres, por causa da dureza dos corações, o que os tornava insensíveis. Moisés visou proteger as mulheres do abandono pelos maridos de coração duro, o que fazia muitas delas procurarem a prostituição para sobreviver. Já no Novo Testamento, o que nos dá base bíblica para a complexidade do divórcio, Jesus, respondendo aos fariseus, disse que “qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério” (Mateus 19.9). A palavra prostituição aparece 26 vezes no Novo Testamento, significando incastidade, fornicação, adultério, imoralidade.

 

Existe também o que alguns teólogos chamam de separação pedagógica, em caso de maus tratos, violência, desrespeito, etc. Os quais não devem divorciar-se, mas buscar o caminho da reconciliação através do afastamento mútuo. Essa regra tem por base os ensinamentos de 1 Coríntios 7.10 que refere-se aos casais crentes, que não devem divorciar-se.

No caso do casal em que um é cristão e o outro não, e ela consente em habitar com ele, não a deixe (1 Coríntios 7.12,13). Porém, se a convivência estiver sendo prejudicial, o desejo de separação não deve partir do fiel, mas se o cônjuge descrente quiser a separação, o crente não pode ficar “sujeito à servidão” (v.15). Assim, após o divórcio, o cristão fica livre para casar-se novamente.

Destaco também que a Bíblia nos ensina lá em 1 Pedro 3.1, que através do nosso testemunho de vida podemos “ganhar” o cônjuge para Cristo. Ou seja, pela nossa conduta honesta e respeitosa, ele pode ser transformado.

 

Entre os casais evangélicos o maior problema, por incrível que pareça, está na submissão. Isso mesmo! A famosa frase “o homem quem manda”, que entre os cristãos é destacada como: “a mulher deve ser submissa”, tem causado desavenças nos lares. Não só porque o homem quer mandar, mas às vezes porque a mulher quer tratar seu marido como filho, afastando ele de atividades costumeiras.

 

Infelizmente a maioria de nós não foi ensinada a pensar primeiro nos nossos próprios erros. Avaliar nossa própria necessidade de mudança, de transformação, para melhorar a convivência, restaurar a admiração e o respeito mútuo. Casamentos são construídos com base nesta ideia. Na capacidade que temos de produzir mudanças em nós mesmos.

A famosa frase “eu tenho o direito de ser feliz”, evidência o individualismo secular, que trata o casamento como um contrato sexual temporário e irrelevante diante dos problemas. Não é fácil aprender a lidar com os próprios erros, mas é a solução evidente diante de tamanha frustração que o divórcio pode trazer.

 

Infelizmente nossas igrejas não estão preparadas para lidar com este problema tão crescente. O casal que enfrenta problemas conjugais muitas vezes não tem coragem ou oportunidade de buscar aconselhamento, já que poucas igrejas dispõem de um departamento familiar, que vise o aconselhamento conjugal e o apoio às famílias. No ambiente eclesiástico estes casais sentem-se perdidos e desiludidos, até porque, muitos deles procuram o aconselhamento em amigos ou em pessoas despreparadas. O descasado na igreja chama a atenção de uma forma que não gostaria. Alguns se afastam, já que existe muita especulação sobre sua vida dos mesmos. A nova geração quer ser feliz. Se uma união não dá certo, basta procurar outro casamento. O grande desafio para a Igreja, hoje, é lidar com essa mentalidade.

 

Um divórcio tem muitas consequências. O divórcio dos pais afeta profundamente a vida escolar dos filhos pequenos, segundo conclusões de uma pesquisa americana. De acordo com o estudo, as crianças sofrem uma queda em seu desempenho acadêmico, além de desenvolverem dificuldade para se relacionar com os colegas.

 

As crianças de pais em processo de divórcio sofrem de ansiedade, solidão e tristeza. Por isso, se distanciam dos amigos e passam a ter dificuldades em acompanhar o ritmo acadêmico. Com isso, veem suas notas despencarem.

 

Entre as causas desse situação estão o stress causado pelo desgaste da relação entre os pais, que passam a brigar na frente dos filhos pequenos. Discussões sobre guarda e pensão também causam prejuízos sobre as crianças, dizem os pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison.

 

A longo prazo, as crianças terão problemas semelhantes ou não terão vontade de contrair matrimônio.

 

Meu conselho aos casais é que procure a liderança da igreja, um conselheiro conjugal, um psicólogo, evite tomar decisões precipitadas. Busque aconselhamento, adquira literaturas, busque informações, evite discussões e, principalmente, ore.

 

Aos namorados e noivos procure dialogar com seu pretendente, conversar sobre assuntos diversos. Faça cursos para casais, adquira literaturas, busque estar na igreja e, principalmente, ore.

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